BR – 425, O QUEIJO SUIÇO...
A cidade de Guajará-Mirim sofre
com inúmeros problemas estruturais causados por sucessivas administrações de
péssima qualidade, mas a maior evidência de descaso contra a valorosa população
da “Pérola do Mamoré” está na situação calamitosa e vexatória em que se
encontra a rodovia federal que dá acesso ao município.
Como é de conhecimento de todos
que habitam a cidade da fronteira, a BR 425 foi asfaltada na década de 80, na
administração de Isaac Bennesby, e até os dias atuais nunca passou por uma
reforma. Falo de uma reforma de vergonha... É de causar indignação o fato de
diversos políticos afirmarem que a cidade precisa ter seu potencial turístico
explorado. A maior marca do turismo é justamente a facilidade de acesso, coisa
que não ocorre com a citada rodovia.
Se levarmos em consideração o
fato de que a pavimentação e manutenção de rodovias federais são obrigação da
União, podemos dizer, sem nenhuma sombra de dúvida, que o governo brasileiro
nunca cuidou da BR que dá acesso à cidade mais antiga de Rondônia, sendo apenas
mais nova que a capital do estado. O falecido ex-prefeito Bennesby chegou a
responder um longo processo por ter asfaltado a 425 na metade da década de 80,
quando Figueiredo era o presidente do país. Naquele tempo, uma viagem de
Guajará-Mirim até a capital, às vezes, levava dois dias. A população comemorou
e muito a pavimentação e sempre se mostrou solidária ao ex-prefeito, quanto ao
processo que ele respondia. Isaac foi processado por fazer uma coisa que era
obrigação do Governo Federal, mas, com certeza, até hoje não teria ocorrido, a
julgar pelo abandono atual.
Enquanto muitos políticos
respondem processos atualmente por roubo de dinheiro público, Bennesby
respondeu por usar os recursos públicos para resolver o maior problema da
época. Ninguém entende por que acontecem essas coisas, mas acontecem. O preço
que a população de Guajará-Mirim paga é tão alto que fica impossível
estabelecer, com precisão, os números, mas são parecidos com os valores somados
de todos os escândalos que nosso estado já viveu , envolvendo políticos e
outras autoridades.
Vergonhoso é saber que os atuais
mandatários de Rondônia sempre tiveram votações expressivas na “Pérola do
Mamoré”, embora a atuação da maioria deles seja tão ruim quanto a camada de
asfalto que as pessoas têm que enfrentar para fazer o deslocamento de
Porto-Velho para Guajará-Mirim. Dizer que a cidade não tem representantes na
Assembleia, na Câmara Federal e no Senado seria muita desinformação, pois os
números da eleição de 2010 são absolutamente comprobatórios.
Guajará-Mirim possui aproximadamente
27 mil eleitores. Em 2010, o senador Valdir Raupp obteve 15.303 votos dos
guajará-mirenses e Ivo Cassol, também eleito no mesmo ano, obteve 8.277 votos.
Pode-se dizer, com boa margem de segurança, que praticamente todos os eleitores
da fronteira votaram nos dois senadores eleitos no último pleito. A falta de
representação não tem como motivo a negação de votos da população de Guajará.
Todos os Deputados Federais com
mandato hoje foram muito bem votados em Guajará-Mirim e tiveram, juntos, quase
a metade dos votos da cidade. E vale lembrar que havia pelo menos dois
candidatos da própria cidade na disputa, mas que não tiveram, nem de longe, a
votação dos aventureiros que invadiram a histórica Guajará-Mirim, no período de
campanha. Hoje, raramente aparecem e , quando vão, usam aviões, para não
sofrerem com os buracos causados por eles na BR-425. Essa é a parcela de culpa de nosso sofrido
povo da fronteira.
Na esfera do Poder Executivo a
situação não é diferente. Dilma teve arrasadora maioria de votos sobre Serra e
Confúcio chegou perto dos 80% de votos em Guajará-Mirim.
Lamentavelmente, não se ouve
nenhuma dessas pessoas defendendo a reforma da BR 425. Os motivos são
desconhecidos, mas compreensíveis: já tiveram os votos, que se dane que votou!!
E todos eles estarão de volta, quando necessitarem outra vez dos votos da
fronteira... E terão, talvez, até mais votos do que tiveram em 2010, porque
nosso povo de Guajará é muito generoso. Só não se pode afirmar qual rodovia
usarão para chegar até a cidade, pois duvido que a BR -425 sirva para alguma
coisa daqui alguns meses.
Como a rodovia pertence ao
Governo Federal, não se pode esperar muito dos deputados estaduais, mas não
custa nada registrar que todos os deputados estaduais com mandato atualmente tiveram
votos em Guajará-Mirim, mas esses não resolvem nem mesmo os buracos da Casa
Legislativa ou os buracos dos cofres da saúde do estado, dilapidados por muitos
dos atuais deputados estaduais.
Diante de tudo isso, a situação
da única via de acesso a Guajará-Mirim, a cidade com maior potencial turístico
do estado, continuará como um queijo suíço. A metáfora não se relaciona com a
inquestionável qualidade do produto europeu... A relação é com a incontável
quantidade de buracos que ambos possuem... O queijo suíço possui os buracos do
prazer; a BR 425 possui os buracos do descaso, da incompetência e da
desonestidade de muitos de nossos políticos... É uma vergonha!! Tenho dito...
FRANCISCO XAVIER
GOMES
Professor da Rede
Estadual
bom,pelo menos com o salário que eles ganham,garanto que queijo suiço não faltará,na mesa dos políticos rondoniense.kkkkk,abre o olho população!!!!
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