CONSELHO ESTADUAL DE SAÚDE: FISCALIZAÇÃO OU
APARELHO DE CAMPANHA?
Sempre que a população questiona
a isenção e legitimidade de alguns órgãos em relação ao poder público, fica no
ar uma grande dúvida sobre a forma de agir de tais entidades ou instituições.
Este fato necessita ser avaliado com seriedade pelos setores competentes, para
que não sejam banalizados os instrumentos fiscalizadores do dinheiro público.
Esta semana, o presidente do
Conselho Estadual de Saúde, senhor Raimundo Nonato, pessoa por quem tenho
respeito, esteve na cidade de Cacoal para hipotecar seu apoio à candidatura de
Glaucione Rodrigues, que disputa a prefeitura do município, fato, no mínimo,
estranho, considerando que Raimundo mora na capital do estado e não é conhecido
pela população de Cacoal. Este tipo de atitude demonstra a falta de compromisso
com que agem algumas pessoas com poder de fiscalização e justifica as diversas
vezes que o presidente enviou correspondência ameaçando gestores da saúde de
Cacoal de “aplicar a lei”, em virtude de
alguns atos administrativos de rotina do serviço público.
Entretanto, não se tem
conhecimento de nenhum ato semelhante, onde Raimundo tenha questionado em rede
de TV sobre as licitações de oxigênio com preços superfaturados praticados no
âmbito estadual da saúde de Rondônia, onde o CES deveria agir com o mesmo rigor.
Ao aparecer no programa eleitoral em outra cidade diferente de seu domicílio
eleitoral, o presidente do Conselho Estadual de Saúde deixa claro que não
questiona seus aliados políticos, como presidente; que está à disposição deles
para apoiar campanhas, mas ataca os candidatos que não são seus, usando o poder
que lhe confere o cargo. Sinceramente é de causar tristeza! Como eleitor,
Raimundo tem todo direito de declarar seu voto ou apoio a quem quer que seja,
mesmo que nunca tenha morado em Cacoal. Mas usar o cargo de presidente do
Conselho Estadual de Saúde para atacar candidatos que não são de sua
preferência fere o princípio da moralidade, da legalidade e caracteriza-se como
campanha negativa contra candidatos, o que não é permitido pela legislação
eleitoral. Se não fosse presidente do conselho, duvido que Raimundo Nonato
sairia de sua cidade para apoiar algum candidato em Cacoal, mesmo porque,
desvinculado do cargo, suas opiniões certamente não interessariam a nenhuma
pessoa da Capital do Café.
Ao questionar a infeliz atitude
do presidente do Conselho Estadual de Saúde, não quer dizer que estou feliz com
o funcionamento da saúde pública em Cacoal ou qualquer outra cidade do estado.
Claro que não! A saúde precisa melhorar. Já que veio até Cacoal, o presidente
do Conselho Estadual de Saúde deveria dizer também na televisão que o hospital
Regional de Cacoal, de responsabilidade do governo do estado, está funcionando
precariamente. Mas não o fez. E não o fez por conveniência eleitoral, fato que
demonstra falta de compromisso do conselheiro Raimundo Nonato com quem é atendido no Hospital Regional. Por
que isso? Qual o objetivo?
Ao virar cabo-eleitoral numa
cidade onde nunca morou, o presidente do Conselho Estadual de Saúde deveria
pedir para sair do cargo, isso seria mais ético. Ao notificar gestores da saúde
do município de Cacoal, deveria dizer de sua preferência partidária por sua
candidata. Ao citar a legislação em suas notificações, deveria lembrar que a
lei eleitoral proíbe ataques a pessoas ou candidatos fora das regras
eleitorais. E o que é pior: se o presidente do Conselho Estadual de Saúde
deslocou-se até Cacoal, usando diárias do Conselho, isso seria muito mais
triste, já que também estaria em desacordo com a legislação vigente. Como
sempre pregou ética e moralidade, espero que Raimundo não tenha cometido tal
ato, pois seria totalmente incompatível com a decência pregada no horário
gratuito onde atacou o atual prefeito e pediu votos para sua candidata. Não
vejo nada de errado em Raimundo pedir votos para sua candidata, mesmo porque
ele vota em Porto-Velho. Todavia, usar da prerrogativa de conselheiro para
atacar pessoas, sem nenhum processo em curso, realmente não me parece prudente,
do mesmo jeito que não parece aquele velho Raimundo que conheci há cerca de 20
anos. Sinceramente, meu caro Raimundo, não ficarei feliz, se souber que você
viajou a Cacoal usando a estrutura do Conselho Estadual de Educação, para fazer
campanha eleitoral.
A continuar assim, em breve
teremos os conselheiros do Tribunal de Contas falando no horário eleitoral em
nome de seus candidatos, os membros do Ministério Público assumindo campanhas e
os policiais defendendo o crime organizado, numa verdadeira inversão de valores
a atribuições que levariam Rondônia, a saúde, a educação, a segurança e outros
setores para o buraco... Isto é um absurdo!
FRANCISCO XAVIER
GOMES
Professor da Rede
Estadual
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