quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O SINTERO E A MATEMÁTICA...

Sempre que ocorrem debates envolvendo os filiados do SINTERO, é muito comum ouvir dos dirigentes que o sindicato somos todos nós, mas atualmente esse grito de guerra está renegado a segundo plano. Não se trata, porém de dizer que nossos líderes são desonestos, isto não podemos dizer, mesmo porque as publicações do site do sindicato não mostram com detalhes as ações praticadas.
Entretanto, ao assumir o governo de Rondônia, nosso governador Confúcio Moura deu um xeque-mate na Executiva do SINTERO. Ele fez isso ao nomear o esposo de nossa maior liderança para um dos principais cargos do governo. Apesar de Confúcio dizer que não gosta de cargos comissionados, na prática, isso não se verifica, pois até hoje nunca extinguiu nenhum deles. Pelo contrário, fez uma farra de cargos com partidos e outras instituições, tentando ganhar apoio para efetivar seus projetos.
Quando cito o cargo ocupado pelo esposo da presidente do SINTERO, quero deixar bem claro que não questiono sua competência ou sua moral. Claro que não!! Ele deve ser pessoa muito competente e muito honesta, pois, entre milhares de rondonienses, foi escolhido pelo governador. Mas este fato criou um grande problema para o sindicato, uma vez que temos a necessidade de lutar em busca de direitos prometidos e até mesmo assinados por Confúcio, mas que hoje não negados ou esquecidos por ele.
Um dos últimos acontecimentos foi a realização de assembléias nas regionais do SINTERO, para discutir a proposta apresentada pelo governo aos servidores da educação (proposta considerada imoral pela Regional Café). A maioria dos membros da Executiva, entretanto, defendeu com unhas e dentes a proposta do governo e alguns diretores até foram visitar municípios onde nunca tinham ido, para dizer que Confúcio tem razão. Fato muito estranho...
Após as assembléias veio à tona outro fato estranho: se o SINTERO somos todos nós, por que não foram computados os votos nominais. Eu explico: Na regional de Cacoal, por exemplo, estavam presentes cerca de 1.000 filiados. Na regional de Jaru, o número não chegou a 100.
Porém o voto de Jaru superou Cacoal. A coisa não pára por aí. Se juntarmos algumas assembléias que votaram a favor do governo, ou melhor, daquilo que queriam os dirigentes do SINTERO, o número será bem inferior ao total de filiados das regionais de Rolim de Moura, Vilhena, Ouro Preto e Cacoal, que se opuseram unanimemente à proposta. Que matemática estranha!!
Diante desses fatos, não revelados no site do SINTERO, podemos nos perguntar que matemática é essa? Se o sindicato somos todos nós, por que a minoria de filiados vence no voto? Infelizmente, não teremos respostas para tais perguntas, ou nos dirão que das 11 regionais, o voto de 6 decide, mesmo sem computar os votos das pessoas que estão no momento... Seria isso intencional? Também não sabemos.
Inconformados com a postura da atual diretoria, e muito mais com a forma adotada pelo governo no tratamento com a educação, nós, da Regional Café, decidimos, por unanimidade, em assembléia realizada no último dia 06/05, enviar à Executiva nosso voto por escrito, dizendo os motivos pelos quais somos contrários, para que o SINTERO publique em seu site.
Além disso, a Regional Café decidiu solicitar, formalmente, que a presidente do SINTERO declare-se impedida de conduzir as negociações com o governo em nome de nossa categoria, tendo em vista que seu esposo possui importante cargo dado por Confúcio, o governador que odeia os cargos comissionados, mas que os usa sem medir as conseqüências.
Nossa atitude tem como principal objetivo que nossa presidente não seja pressionada pelo governo em função do cargo do esposo, que não seja julgada pelos filiados mais exaltados e que não seja acusada de manobrar os debates em favor do governador... O cargo de seu esposo com certeza ocasionou a ausência de muitos filiados nas assembléias e isto é complicado para a força do sindicato. Para muitos filiados, a nossa presidente não tinha motivos para defender a greve proposta em função de seu cônjuge ter um cargo de luxo no governo. Será ?
Seria até interessante que os leitores deste texto fizessem uma consulta, sem compromisso, ao artigo 37 da Carta Magna e aos artigos 134, 135, 136 137 e 138 do Código de Processo Civel, para verificar a questão do principio da impessoalidade e da moralidade, dispositivos constitucionais que tratam da administração pública; e dispositivos do CPC que tratam do impedimento ou suspeição dos juízes e partes nos processos.
Alguém poderia dizer que o SINTERO não é órgão do governo... Eu também acho que não... Mas não custa nada ver o que determinam os diplomas legais aqui aludidos. Ao citar aqui o CPC e a CF, não quero dizer que a professora Claudir ou seu esposo sejam suspeitos de nada, para mim são pessoas íntegras, mas a reflexão se faz necessária, pois, em algum momento divergiremos, do governo, se é que ainda tem professor ou técnico que o defenda...
Finalmente, nosso documento será encaminhado para outras regionais, a fim de que possamos abrir um debate sincero e democrático sobre o assunto. Do mesmo modo, nosso pedido será encaminhado para que todos os filiados tomem ciência dos fatos e possam refletir sobre que sindicato queremos: um sindicato onde a decisão venha das bases, com a contagem dos votos; ou um sindicato que prefere defender as conveniências do governo...
De qualquer modo, já podemos dizer que essa atual Executiva do SINTERO ficará para a história, como aquela que conseguiu buscar, a todo custo, convencer os filiados a ficarem contra seus próprios interesses (refiro-me aos interesses dos filiados, pois não sei os da Executiva) e a favor dos interesses do governador Confúcio Moura...Tenho dito!!
FRANCISCO XAVIER GOMES
Professor da Rede Estadual
xaviergomesgm@gmail.com

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